Thursday, October 21, 2021

Covid-19 reforça necessidade de atenção à Saúde Mental

O aumento de casos de doença mental é uma realidade no país. Em 2018, por exemplo, 31.619 casos de pessoas com transtornos mentais foram registados, de acordo com a psicóloga clínica Suzana Diogo.

A especialista, que falava ao Jornal de Angola, em alusão ao Dia Mundial da Saúde Mental, que hoje (10) se assinala, destacou que, segundo dados do Ministério da Saúde, entre os casos ocorridos, destacam-se a depressão, esquizofrenia, demência, transtornos do desenvolvimento e outros mais comuns.

Segundo Suzana Diogo, 101 casos de suicídios foram registados no primeiro semestre deste ano, estatística que deve preocupar a sociedade civil e o Governo.

“É urgente criar novas estratégias de acção, melhorá-las e fazê-las funcionar na prática. Precisamos de consciencializar as pessoas de que a luta contra o suicídio, a violência doméstica, o alcoolismo, o cancro da mama e da próstata não se encerra depois das efemérides; a luta deve ser contínua e de todos”, sublinhou.

Para a especialista, cuidar da saúde mental é essencial e indispensável para a construção de uma sociedade equilibrada e inclui parar e reflectir sobre a vida, pensar se estamos bem connosco e com as outras pessoas.
“É perceber a existência da outra pessoa à nossa volta e o impacto que esta tem sobre nós, cuidar da saúde física, consultar periodicamente um psicólogo, entre outras acções que fazem toda a diferença e melhoram a nossa saúde mental”, salientou.

A psicóloga apontou o desemprego e a pobreza como os principais factores que têm contribuído para o aumento do número de doenças mentais no país e para o aumento de fenómenos como a prostituição, delinquência e a dependência química.

Suzana Diogo referiu que Angola tem ainda muito que melhorar no que diz respeito ao aumento do número de profissionais capazes, para atender à demanda e à prestação de saúde mental.

“É facto que a pandemia da Covid-19 veio reforçar esta necessidade, pois que, para além do combate e prevenção da doença, tornou-se necessário olhar também para o seu impacto sobre a saúde mental, o que exigiu a intervenção massiva de especialistas no ramo”, avançou a psicóloga.

A especialista referiu que a meta do Ministério da Saúde, pautada no Plano Nacional de Desenvolvimento Sanitário, preconiza que, até 2022, pelo menos 50 por cento das unidades sanitárias disponham de serviços integrados de saúde mental. Contudo, alerta que não satisfaz apenas ter serviços de saúde mental, sendo necessário que funcionem e sejam prestados com a qualidade que se exige.

“Trabalhar com mentes humanas é uma grande responsabilidade e requer um nível de maturidade profissional superior. Tudo começa na aquisição de competências e isto passa essencialmente por uma formação de qualidade, no que, infelizmente, temos de melhorar”, frisou.

Suzana Diogo aponta como exemplo a quantidade de licenciados em Psicologia fora do exercício profissional, com a justificativa de se sentirem desprovidos de capacidade para responder assertivamente a este desafio, a falta de especializações, mestrado e doutoramento nas áreas de Saúde Mental e o número limitado de vagas nos concursos públicos para o ingresso de profissionais da área.

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