Activos recuperados rondam os quatro mil milhões de dólares

O Presidente da República, João Lourenço, estimou em mais de quatro mil milhões de dólares, repartidos entre dinheiro vivo e bens, os activos recuperados, até à data, no âmbito do combate à corrupção.

Em entrevista concedida ao diário norte-americano The Wall Street Journal, emitida este domingo, pela Televisão Pública de Angola (TPA), o Chefe de Estado esclareceu que parte dos activos recuperados estão a ser privatizados. 

“São activos públicos e que dentro de uma nova política de gestão da nossa economia entendemos que o Estado não se deve manter com eles e estão num programa de privatização”, sublinhou.

Na entrevista, João Lourenço precisou ainda que são activos construídos e adquiridos com recursos públicos mas que “infelizmente” estavam a beneficiar um reduzido círculo de pessoas.

Revisão da Constituição

No que diz respeito à Lei de Revisão Pontual da Constituição, o Presidente da República esclareceu que não houve nenhuma contestação nem um voto contra. “Houve, sim, uma certa reclamação por parte dos partidos da oposição em relação à Lei Orgânica das Eleições Gerais”, clarificou.

Para o Chefe de Estado, o pedido que a oposição fez “é um pedido normal”, acrescentado que o Presidente da República pode, se assim o entender, devolver a lei aprovada à Assembleia Nacional para voltar a analisar uma ou outra questão que consta do mesmo diploma.

“Eu poderia, se assim o entendesse, limitar-me a promulgar a lei, como também podia atender ao pedido da oposição em devolver a lei ao Parlamento, coisa que o fiz”, insistiu.

Regresso de JES

Questionado sobre as implicações do regresso, a Angola, do ex-Presidente da República, José Eduardo dos Santos, João Lourenço referiu que a coisa mais natural é um cidadão nacional regressar ao seu próprio país.

“Não pode ter implicações de nenhuma ordem, sobretudo tratando-se de alguém que dedicou toda a sua vida ao país, foi Chefe de Estado pouco menos de quatro décadas, é presidente emérito do mesmo partido em que sou o presidente”, sublinhou.

Para o Presidente da República, um cidadão com todos estes predicados e que esteve fora por algum tempo, por razões de saúde, e decidiu regressar ao país, é a coisa mais natural que pode acontecer. “Só temos de dizer seja bem-vindo”, sublinhou.  

João Lourenço informou, também, que ainda não esteve com o ex-Presidente. “Não nos vimos, mas falamos ao telefone. Não houve a possibilidade de nos ver-mos. Isso vai acabar por acontecer algum dia e não precisa de ser forçado. Vai acontecer naturalmente”, reforçou.

O Presidente da República tranquilizou que o encontro com José Eduardo dos Santos não será desconfortante. “Será um encontro absolutamente normal”, assegurou.

Diversificação da economia

Angola está a procurar desenvolver outros sectores da economia fora do ramo petrolífero, informou o Chefe de Estado. “Para nós, isso é uma questão de vida ou morte. Ou seja, ou temos a capacidade de conseguir este objectivo de diversificar a economia ou então vamos ter problemas muito sérios”, avançou.  

João Lourenço afirmou que o país não pode, de forma nenhuma, a médio e longo prazo continuar a depender quase que exclusivamente da exportação do petróleo bruto.

Na entrevista, que será publicada na íntegra no The Wall Street Journal, no próximo fim-de-semana, João Lourenço falou, também, da dívida externa, da Covid-19, ambiente, energias renováveis, desminagem, industrialização, telecomunicações e das reformas realizadas nos últimos quatro anos.  

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