Portugal agradece presença de Angola

O Vice-Presidente da República, Bornito de Sousa, entregou na tarde deste domingo (12) ao Chefe de Estado português, Marcelo Rebelo de Sousa, uma mensagem do Presidente João Lourenço, numa audiência em que participaram membros da delegação angolana presente nas cerimónias oficiais do funeral de Jorge Sampaio.

O Vice-Presidente da República, Bornito de Sousa, destacou, ontem, em Lisboa, o legado democrático do antigo Estadista português, Jorge Sampaio, que foi sepultado no cemitério do Alto de São João.

Bornito de Sousa participou, na capital portuguesa, nas exéquias do ex-Presidente português, falecido sexta-feira, aos 81 anos, em representação do Chefe de Estado angolano, João Lourenço.

O Vice-presidente da República ressaltou a importância de Jorge Sampaio no processo de pacificação de Angola.
No discurso oficial de despedida, o Presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa, agradeceu a presença do Vice-Presidente de Angola, Bornito de Sousa, e de todas as outras delegações estrangeiras no último adeus ao “grande senhor do mundo” que foi Jorge Sampaio.

Bornito de Sousa e dezenas de outras personalidades, entre as quais o Secretário-Geral das Nações Unidas, António Guterres, o Rei de Espanha, Filipe VI, e o Primeiro-Ministro de Cabo Verde, Ulisses Correia e Silva, estavam, ontem, nas primeiras filas no Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa, para o derradeiro adeus a Jorge Sampaio.

Marcelo Rebelo de Sousa sublinhou que Jorge Sampaio foi “um homem bom e um português de excepção”, que não quis ser herói, mas o foi.

O Primeiro-Ministro português, António Costa, referiu-se ao “amigo” e “camarada” do Partido Socialista como “um homem de causas e valores”.

Ferro Rodrigues, presidente do Parlamento português, iniciou o discurso vincando “a figura ímpar” e “o legado extraordinário” de Jorge Sampaio.

“É também um momento para lembrar o quão afortunado foi Portugal por ter tido, em Jorge Sampaio, um dos seus cidadãos mais ilustres. Serviu, como poucos, causas justas e a causa pública, antes e depois do 25 de Abril, com convicção, combatividade e integridade” e, nas palavras de Ferro Rodrigues, com uma “enorme generosidade”.

A filha do antigo Presidente de Portugal, Vera Sampaio, descreveu o pai como “um homem bom, atento e disponível”. “Na nossa relação não existiam barreiras, nem bloqueios. Era um homem bom, atento e disponível, que cultivava a amizade e a camaradagem porque sabia que na vida e na política, nada se pode fazer sozinho”.

Nas palavras de Vera Sampaio, os filhos sempre encontraram em Jorge Sampaio “o amor de um pai e a compreensão de um amigo”.

Seguiu-se o discurso de André Sampaio, filho, cuja emoção transparecia a cada palavra e a cada pausa. “O nosso pai foi popular, sem ser populista. Foi sempre próximo, sem nunca banalizar a proximidade. Foi estadista e cidadão comum. Foi amado, sem gostar de ser venerado. Foi muitas vezes discreto, mas esteve sempre presente”, declamou André Sampaio para as cerca de 300 pessoas presentes no Mosteiro dos Jerónimos.

Depois da cerimónia evocativa no Mosteiro dos Jerónimos, quando eram 13 horas locais, a mesma hora de Angola, a urna com os restos mortais de Jorge Sampaio, envolta com a bandeira de Portugal, seguiu para o cemitério do Alto de São João, onde em acto privado foi depositada no jazigo da família.

Jorge Sampaio morreu vítima de doença na sexta-feira, 10 de Setembro, data que, coincidentemente, em Angola se assinalava o quadragésimo segundo aniversário da morte do Presidente António Agostinho Neto, em Moscovo, em 1979.
Jorge Sampaio foi internado a 27 de Agosto, tendo sido transferido de helicóptero para o Algarve. O político português, de 81 anos, encontrava-se de férias quando sentiu dificuldades respiratórias.

Leave a comment

Your email address will not be published.