Friday, July 01, 2022

Portugal quer alargar a cooperação no domínio económico com Angola

O ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, João Gomes Cravinho, manifestou, esta terça-feira (12), em Luanda, o desejo de ver reforçado o investimento económico português em Angola, sobretudo em áreas como Turismo, Energia e Agricultura, de modo a diversificar os sectores tradicionais de cooperação entre os dois países, numa altura em que a dívida com as empresas portuguesas está paga na sua maioria.

O novo chefe da diplomacia portuguesa, que escolheu Angola como o primeiro país para efectuar uma visita, exteriorizou a intenção à imprensa, no final da audiência com o Presidente da República, João Lourenço, na Cidade Alta, a quem manifestou a ideia do seu país de ir mais a fundo na co-operação bilateral. João Gomes Cravinho, que foi até bem pouco tempo ministro da Defesa Nacional, disse que a ideia de Portugal passa por aproveitar as potencialidades que Angola oferece nestes sectores.

“Creio que, este momento, em que os nossos países e o mundo, em geral, estão a procurar recuperar da crise da pandemia, embora ainda confrontado com uma grande crise económica, que resulta da invasão da Ucrânia pela Rússia, constitui um quadro favorável em que devemos fazer todos os esforços para intensificar o relacionamento económico”, realçou.

O ministro português acrescentou que o momento é ainda propício para o fortalecimento das relações económicas entre os dois Estados, dado o facto de terem conseguido superar, nos últimos anos, alguns dos problemas que enfrentavam. “Havia dívidas bastante acentuadas do Estado angolano em relação às empresas portuguesas, mas que já foram pagas na sua maioria”, sublinhou.

Referiu, na ocasião, o trabalho levado a cabo pelo Governo angolano para a melhoria das qualidades económicas no país, tendo, no momento, destacado o reconhecimento de instituições internacionais de notação, como o FMI, aos avanços registados por Angola nesta matéria.

O chefe da diplomacia portuguesa considerou este reconhecimento como um excelente indicador para a criação de um bom ambiente de negócios no país, João Gomes Cravinho ressaltou que o encontro com o Presidente da República, a quem entregou uma carta do Primeiro-Ministro português, António Costa, permitiu, também, para analisar a situação de emissão de visto a cidadãos nacionais que pretendem viajar para Portugal. Nos últimos meses, a imprensa nacional registou, com muita frequência, reclamações de cidadãos que diziam enfrentar dificuldades para conseguir o visto português. Sobre esta matéria, o ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal assegurou que a situação já começou a melhorar desde a assinatura do Protocolo de Facilitação de Vistos.

“Os números mostram que há uma maior agilidade, mas há, evidentemente, muitas melhorias a fazer e, portanto, um dos objectivos da minha visita é precisamente, também, de me inteirar completamente daquilo que são os problemas em relação à concessão de vistos e identificar soluções”, realçou o ministro, para quem o assunto é uma questão que importa melhorar para que o relacionamento económico entre os dois países seja o mais frutífero possível.

João Gomes Cravinho realçou que durante a audiência concedida pelo Presidente da República, João Lourenço, foi, igualmente, abordado o conflito entre a Rússia e a Ucrânia, tendo adiantado que, sobre esta matéria, concluíram sobre a necessidade absoluta de, a curto prazo, se encontrar uma solução que leve à cessação das hostilidades.

O ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, João Gomes Cravinho, disse ter escolhido Angola para efectuar a primeira visita bilateral, em reconhecimento à existência de potencialidades para se ir mais longe e, também, pelo facto de o país estar, neste momento, a presidir a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), “uma das principais âncoras da política externa portuguesa”. “Angola tem vindo a desempenhar muito bem esta sua liderança à frente da CPLP, e, a este respeito, fazia todo o sentido que fosse o destino da nossa primeira visita”, concluiu o político português.

Leave a Reply

Your email address will not be published.